• Andrea Quirino

Saindo do Abuso - Mito " La Loba"


Tem uma história que quero compartilhar

É a história de uma mulher que conseguiu enxergar

Como da dinâmica do abuso não conseguia se libertar

E por isso é tão importante contar


Que no dia em que entendeu ‘como’ a criança ferida fazia a conexão 

Com o homem que encaixava nessa fricção de sempre criar a desilusão

Teve força de lutar a boa luta da compreensão


O que ela viu é que tinham duas mulheres em seu peito

Uma menina imatura que mendiga amor e respeito

Ela tinha uma meta de ter a segurança do homem amado

Mas de ter a qualquer custo mesmo se o preço fosse dobrado


Para essa metade o valor estava em como era apreciada

E para isso foi treinada a ficar apagada e calada

Dizer sim pra tudo e ainda se sentir culpada

Receber atenção era a meta a ser alcançada


Esse homem também era por sua criança afetado

Se sentia valorizado quando era disputado

Criava cenas de ciúmes e traição para chamar atenção

Terminava fazendo juras com muita paixão


Para a menina imatura essa era a felicidade pura:

“Quase o perdi mas no fim fui a escolhida e sou a prometida

E assim sigo sendo a sua preferida”


E assim se dobra o ciclo do amor imaturo

Onde a dor é parte fundamental do jogo obscuro

De quem joga pra ganhar e quer receber sem dar

E somente ao próprio umbigo olhar


Mas quando a dor irrompe a outra mulher do peito

Aquela que é adulta se pergunta: como é que eu aceito?

Como fico aqui a chorar somente para ter esse homem de par?


Para a parte da mulher madura nada disso faz sentido ou cura

Mas um dia ela se perguntou: mereço de fato receber amor?

Nesse dia chegou a compreensão que amor maduro faz outra conexão

Porque quem ama sabe dar amor e por justiça pode receber sem dor


Mas não era tão simples assim sair do jogo da dor sem fim

Porque dentro dela estava a menina ao pé do homem agarrada

Precisava ser consolada da dor das perdas da infância

E ver de perto a sua real insegurança


Essa menina tem medo da vida e da solidão

Racionaliza os sentimentos e sempre acha que tem razão

Ao buscar ser amada o faz com compulsão

Exige muito do outro e depois faz acusação


Eita menina danada, por ignorância é traiçoeira

Encontra outra criança ferida e fica fazendo a besteira

De envolver um assunto tão sério na sua brincadeira

De ferir e ser ferida uma vida inteira


A dor a ser chorada é a dor da infância

Sustentar a verdade é de maior importância

A infância não volta mais, não vamos mais insistir

A dor do agora é outra, já não vale mais confundir 


Vamos curar a carência faminta dessa criança ferida

Para libertar a mulher que quer ser feliz e bem sucedida

Ter um homem ao seu lado que tem a possibilidade

De saber dar afeto e calor e de viver na verdade


Na luta sem consciência a mulher se embrutece

Fica frágil, sem auto-estima e depois se empobrece

De si mesma se esquece e amargurada envelhece


A luta com consciência difere em peso e habilidade

Olho pra dentro e encontro o buraco da hostilidade

Identifico que é dor e medo de rejeição 

Também tem muitas imagens e fantasias sobre solidão


Já não sou tão impotente, nesse barco tomo o leme

Recrio a direção em que navega meu coração

Vou para o continente do amor maduro sem medo de arriscar 

O homem que tem tamanho pode vir me acompanhar


Tem duas em meu peito, isso eu posso afirmar

Uma não vai sumir ou a outra assassinar 

A integração acontece quando isso eu sustentar

Que a ferida da alma sou eu quem pode curar

Texto: Andrea Quirino de Luca





Foto: Engin Akyurt

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